quinta-feira, janeiro 24, 2008

A libélula alagada

Nos olhos da rua, seus olhos macios
Passava igual carro de lágrimas: lento,
Fantasma afiado das fibras do vento
Fugindo das luzes dos prédios vazios...

Olhava seus pés junto ao meu pensamento
Bailava na lúcula em cima dos rios
Da Lua... Libélula nua com fios
De espera tecendo a mortalha e o momento...

E a luz? Os seus olhos? Seus pés sobre as asas?
Só lembro das mãos de gotículas rasas
Tecendo o meu verso na noite calada,

Mas quando no azul o universo dormia
Ela era das cinzas, palavra vazia
Escrita sem voz nas paredes do nada.


Marra Signoreli
(13/11/2007)

1 Comentários:

Às 24/1/08 22:24 , Blogger Marcelo Brice disse...

Imagino que em alguns anos eu serei o prefaciador e editor dos livros do João. Esse poema quando ele me mostrou tinha mais objeções dele do que minhas. É simples e inventa estranhezas que se fingem de bestas; não são.

Aproveitem!

 

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