sábado, abril 21, 2007

O Calvário dos Ateus

"O papa deve ser ateu! Impossível homem tão culto e crédulo"


“A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelos inteligentes como falsa, e pelos governantes como útil.”
Sêneca


Esqueçam as revoltantes estatísticas sobre pobreza, racismo e gays assassinados. A verdade é que a minoria que mais sofre preconceito no mundo é a dos ateus. É claro que será muito fácil para os politicamente corretos de plantão me acusar de fascista e insensível diante desta declaração, que é obviamente retórica e auto-indulgente, aspectos que eu não apenas admito como faço questão de sublinhar. Contudo, apesar disto, a realidade estranhamente depõe a meu favor. Obviamente não falo de intolerância de Estado, já que legalmente a legislação brasileira dá ao cidadão o direito de crer ou de não crer. Não se trata disto. Antes de qualquer coisa é preciso levar em conta o fato de que este preconceito é do tipo branco, indolor, pois o ateísmo é um fenômeno fundamentalmente observado entre os ricos e a classe média letrada. Pessoas que em princípio independem deste pequeno detalhe de suas personalidades para conseguir sobreviver. O que não significa que não serão de algum modo discriminados, marginalizados, desdenhados ou meramente malvistos.

Algumas coisas são obvias, mas somente se tornam visíveis quando ditas por um nome respeitável. Em uma entrevista para a revista Veja, realizada em 2003, Salman Rushdie, o bom escritor anglo-indiano que infelizmente se tornou mundialmente conhecido não por seus livros e sim através de sua condenação a morte (fatwa) pelo regime teocrático fundamentalista islâmico do Irã, em 1989, falou sobre o problema. Disse que: “a linguagem da religião é uma linguagem de absolutos que, mais cedo ou mais tarde, levam à estigmatização de grupos. Como o grupo dos ateus, por exemplo”. Em seguida cita estatísticas. Segundo Rushdie, um grande jornal, cujo nome não mencionou, durante uma recente eleição presidencial norte-americana, realizou uma pesquisa em que perguntavam em quais candidatos das chamadas minorias os eleitores aceitariam votar. O resultado foi sintomático. De modo geral as pessoas não se oporiam a candidatos negros, homossexuais ou a mulheres. Mas quando perguntadas se votariam em um ateu a grande maioria, mais de cinqüenta por cento, disseram que não. Não votariam de forma alguma, independentemente de suas outras qualidades morais ou profissionais. Em resumo, concluiu Rushdie, “você é inelegível se duvidar da existência de Deus”.

Temos um caso doméstico clássico. A vítima foi o ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso. Ele, então senador, em 1985, disputava à prefeitura de São Paulo. As vésperas do pleito participou de um debate na televisão no qual o jornalista Boris Casoy lhe perguntou se acreditava em Deus. Ficou tão embaraçado que falou, falou, falou (nhêm, nhêm, nhêm!) e acabou não respondendo. Chegou a chamar Casoy de “deputado”, tamanho foi o mal-estar provocado pela pergunta capciosa. Seus rodeios acabaram sendo interpretados, corretamente sem dúvida, como um envergonhado NÃO. O resultado foi desastroso. Seu nome despencou nas pesquisas de intenção de voto. O até então candidato favorito, alçado a condição de herege, perdeu a eleição.

Realmente FHC viu-se, literalmente, entre a cruz e a espada. Sendo um intelectual respeitado, de sólida formação materialista, um “sim” soaria como hipocrisia vergonhosa; sobretudo entre seus pares da academia. Por outro lado um “não” seco seria um suicídio eleitoral diante da grande massa votante que não sabe separar fé de ética, moral, honestidade, senso de justiça etc. Porém, como sabidamente os brasileiros não têm memória, sua malhação não durou muito. Tempos depois venceu duas eleições seguidas para presidência. Nestes pleitos os debates sobre questões religiosas foram estrategicamente ignorados. Mais do que isto, a lição foi tão bem assimilada que em diversos momentos de seus mandatos foi visto em pública agradecendo a Deus. Não se tem noticia de conversão. Isto é política.

Não interessa aqui discutir se Deus existe ou não. Algumas das mentes mais brilhantes que já pisaram no planeta, como Kant e Descartes, gastaram muita tinta, tempo e neurônios tentando provar sua existência pela lógica. Sem sucesso. Os resultados obtidos foram bastante questionáveis, para dizer o mínimo. Variaram entre dogmatismo disfarçado, especulação questionável ou retórica pura. Ainda hoje, volta e meia, aparecem alguns aventureiros com igual objetivo. Ostentando títulos de Phd e ancorados em termos técnicos da física, da química e da biologia, apenas defendem seus credos pessoais, fingindo que fazem ciência. Deturpam, manipulam e relativisam tudo. Costumam inclusive citar uns aos outros, como forma de se confirmarem mutuamente. Fazem isto como se todos fossem nomes respeitáveis da comunidade científica. Não por acaso a mesma estratégia é usada por ufólogos e caçadores de monstros, como o Pé Grande e a Nessie. Suas teses, apesar de algumas vezes serem charmosas, são frágeis como castelos de cartas. Quimeras com verniz de cultura. Mera falácia para impressionar ingênuos que acreditam que os deuses eram astronautas.

Apesar de muitos anti-iluministas resistirem, este debate já está superado. A ciência materialista do século XIX matou Deus e ponto final. Como bem escreveu Nietzsche, um de seus mais notórios assassinos, no aforismo 132 de seu A Gaia Ciência: “Agora é nosso gosto que decide contra o cristianismo, não mais os argumentos”. Por minha conta estendo do cristianismo para todo e qualquer outro credo. Ou seja: acredite se quiser, se lhe faz bem. Ninguém pode ser criticado por isto. A religião, ou simplesmente a fé, é vital para sustentação da ética e da moral de muitas pessoas. Mas que se saiba que nada mais sustenta tal crença. Gott ist tot.

Não se deve olhar para o mundo e, para entendê-lo, perguntar: Deus criou tudo isto? Não. Deve-se partir do nada e, pela soma da observação e da experiência, criar um modelo. Um modelo não fixo. Se Deus entrar, ótimo; se não entrar, paciência. No modelo do mundo antigo os deuses entravam. No modelo medieval, Deus é a própria razão de ser do modelo. No modelo atual, Deus não tem lugar. E ainda que nem todos os fenômenos físicos sejam ainda plenamente explicáveis em sua completude, a porcentagem que já temos permite deduzir que para tudo deve haver resposta, sem precisar apelar para o místico. Portanto, não se trata de provar se Deus existe ou não existe. O fato é que Ele não é mais necessário. Se estiver escondido, está tão bem escondido que não restaram vestígios. Assim sendo, a rigor, por exclusão, não existe.

Fique claro que esta conclusão não é apenas casmurrice dos ateus. Todos nós adoraríamos se um ser tão fascinante de fato existisse. Não haveria tema mais interessante. Ocuparia todos os esforços de nossa ciência, filosofia e literatura. Ficaríamos felizes em gastar todos os anos de nossas vidas mortais em tentativas, talvez inúteis, de compreender tal presença imortal. Infelizmente não é o caso. Temos que nos contentar em pesquisar e refletir sobre os pífios assuntos mundanos.

Apenas para ilustrar, diz-se que certa vez perguntaram a Simone de Beauvoir como era possível que uma mulher como ela, que teve esmerada criação catequética na infância, se convertesse ao ateísmo. A filósofa respondeu tranqüilamente que “poderia acreditar, mas que preferia se ater a verdade”.

Esta é, obviamente, uma verdade difícil de se aceitar. É preciso compreender que não é fácil para as pessoas jogarem séculos e séculos de tradição religiosa no lixo. A maioria, compreensivamente, sequer pensa sobre o assunto. Para aqueles que pensam, mas que relutam em levar tal reflexão as últimas conseqüências, o caminho obvio é criar subterfúgios teóricos. Neste sentido, depois da onda materialista ateia do século XIX, ao longo do híbrido século XX, tornou-se moda entre os intelectuais declararem-se agnósticas. Esta palavra significa em grego algo como “sem conhecimento” e foi popularizada, a partir de 1869, pelo biólogo inglês Thomas Huxley, grande amigo de Darwin, quando o debate sobre o evolucionismo estava em seu auge. O agnóstico, ao contrário do ateu, não nega a existência de forças transcendentes agindo no universo. Prefere resguardar-se em uma diplomática posição de neutralidade. Não aposta em nenhum dos lados, mas a rigor nada o impede de acreditar e vez ou outra dar uma “rezadinha”. A madrinha honorária desta tribo é a quase cética e católica praticante agente Dana Scully, do seriado Arquivo X.

A rigor poucos cientistas, pensadores ou artistas se declaram ateus convictos. Boa parte dos letrados prefere se designar como agnóstico. Muitos são declaradamente crédulos. Estes conseguem, de alguma forma misteriosa, separar sua crença de origem (geralmente familiar) de sua formação cultural pragmática. Conheço muitas pessoas assim. Algumas possuidoras de inteligência rara. Eu, pessoalmente, não compreendo esta perspectiva. Enquanto historiador não posso conceber que “primeiro Deus criou os Céus e a Terra”... e depois aconteceu a Revolução Francesa.

Seja como for, o alívio proporcionado pelo agnosticismo se espalha. Portanto é falsa a impressão que dá certas pesquisas feitas atualmente que apontam para um número crescente de descrestes. Até acredito que de fato tenha aumentado. Contudo, uma analise mais apurada revela que estas estatísticas se referem basicamente a pessoas que não freqüentam nenhum culto em particular, ou com regularidade, mas que se forem indagadas sobre a existência de Deus diriam algo como: “não acredito em religiões, mas creio que existam forças acima de nós”. Não raro falam de um “Deus pessoal”, livre de dogmas. Um quase panteísmo. Nestes casos filosofias orientais, psicanálise, gurus místicos ou ícones pacifistas fazem às vezes de tampão religioso. Suprem a ancestral necessidade do místico do ser humano, temperada com certo tom, às vezes falso, de cultura erudita. Não por acaso há muito que John Lennon deixou de ser um grande músico para ser um constrangedor mártir. Gandhi é admirado por gente que coloca na segunda-feira uma camiseta com sua imagem, na terça-feira uma com Che Guevara e na quarta-feira uma do maconheiro gente-boa Bob Marley.

De modo semelhante temos os espíritas (normalmente ótimas pessoas), que ainda insistem em defender suas crenças anacrônicas, derrubadas há tempos pela psicologia e pela parapsicologia séria. Continuam defendendo a existência de um quase cômico e ultra-burocrático mundo superior com o épico epíteto de que professam um culto que é ao mesmo tempo ciência, filosofia e fé. Ciência não é. Falta lógica para ser filosofia. Portanto, só sobra fé. Mas somente “fé” não basta para alimentar a vocação positivista típica do espiritismo, fundamentada na busca por uma religião científica e racional, e seguem se alienando. Em certo sentido o espiritismo, apesar de ser a-histórico e ao mesmo tempo justamente por ser a-histórico, é a religião pós-moderna por definição.

Pois é neste mundo, basicamente gnóstico ou agnóstico, que o ateísmo ainda causa estranheza. Desconfiança que faz parte de nossa tradição ocidental. Vêm de suas bases. Sócrates foi condenado à morte porque, dentre outras coisas, divulgava publicamente sua não-crença nos deuses tradicionais gregos. Durante a Revolução Francesa, que defendia o culto da Deusa Razão, contraditoriamente o ateísmo foi perseguido. Era considerado coisa de aristocrata libertino. Ateísmo e amoralidade tornaram-se desde então sinônimos. Na mentalidade popular um ateu é capaz de fazer qualquer coisa, pois não tem freio moral. Afinal, pensou equivocadamente Dostoievski, na frase que de tão citada tornou-se um clichê, e que me vejo obrigado a repetir: “se Deus não existe, tudo é permitido”.

Esta pecha persiste abertamente ainda hoje. Dou um exemplo prático. Soube que durante um curso de formação de policiais, recentemente aplicado, os professores fomentaram um debate bastante interessante. Tudo partiu de um daqueles exercícios em que os alunos devem escolher em um grupo de doze pessoas, seis que ficariam protegidas em um abrigo durante um ataque nuclear. O que me chamou a atenção, vendo a folha com o enunciado, foi que dentre os personagens descritos havia um “monstro infernal” definido da seguinte forma: “um ateu, com 20 anos de idade, autor de vários assassinatos”. Apenas isto, mais nada. Ao contrário dos outros tipos descritos, ele não tinha nenhuma qualidade positiva ou mesmo um outro defeito. Era apenas e tão somente “um ateu, com 20 anos de idade, autor de vários assassinatos”. Portanto, ao contrário de seus onze companheiros, todos dotados de prós e contras, o tal indivíduo não tinha nenhuma chance de ser escolhido para entrar no abrigo nuclear. Somente um louco levaria para o convívio de cinco inocentes “um ateu, autor de vários assassinatos”, tenha ele 20, 10 ou 90 anos. Não têm nada de sutil nisto. Obviamente sua condição de assassino estaria, segundo os elaboradores do exercício, diretamente relacionada com sua condição de ateu. Impossível interpretar de outra forma.

Esta visão simplista do fenômeno do ateísmo é dominante socialmente. O não-crer em Deus é quase sempre relacionado com algum tipo de simpatia pelo satânico, pelo criminoso, pelo sujo. Raramente ocorre ao crente que o ateu simplesmente não acredita em um mundo dividido em bem e mal. Para ele, portanto, Deus e Demônio são entidades simbólicas igualmente inexistentes. Na lógica tacanha deste pré-conceito o materialismo torna-se por si só um tipo de falha de caráter. Seria como se faltasse algo importante na personalidade do ateu. Não poucas vezes tachado como alguém insensível, que não vê graça na vida. Quase um zumbi vagando pelo mundo. O velho rótulo “existencialista de botequim”.

No romance Contato, do astrônomo Carl Sagan, existe um exemplo muito interessante deste pré-conceito. É fantasioso, mas eloqüente. Ao organizar uma missão espacial que deveria produzir o primeiro contato de seres humanos com extraterrestres, o governo norte-americano, representado por uma comissão do Congresso, descarta o nome da pessoa tecnicamente mais indicada pela simples razão de que ela não acredita em Deus. Segundo os membros da comissão seria importante que o representante da Terra pudesse refletir as crenças espirituais dos habitantes de seu planeta no suposto encontro intergaláctico. Como se existisse em nosso belicoso globo azul apenas uma crença. Existe uma infinidade. Que lutam entre si ou eventualmente se suportam, mas que se juntam na perplexidade quando se deparam com o fato de que alguns não precisam do transcendente para viver.

Quando isto ocorre é comum que sofistas religiosos, ou mesmo da turma dos agnósticos, comecem a colocar palavras na boca dos descrentes, como se eles secretamente tivessem fé, sem sequer saberem disto. É preciso mostrar que não se vive sem crer de algum modo no sobrenatural, ainda que à força. Assim, digamos, a frase “Deus não joga dados”, de Einstein, toma um sentido religioso que nunca teve. A sentença “a mente de Deus”, que Stephen Hawking colocou no final de seu Uma Breve História do Tempo, ganha sentido literal. O “mais luz, mais luz”, que Goethe teria pronunciado em seu leito de morte, se torna um encontro com anjos. E por aí vai. E mesmo quando a estratégia de manipulação retórica falha sempre existe a possibilidade de fazer de posições políticas ou perspectivas artísticas, “substitutos ilusórios” para a fé reprimida que as aberrações ambulantes que adotaram o ateísmo necessariamente ocultam nos recantos mais íntimos de seus corações. Neste sentido, não conheço nada mais absurdo do que ler ou ouvir certos mentecaptos tentando nos convencer de que, por exemplo, os ataques de Nietzsche à religião não passavam na verdade de explosões de fé reprimida de uma ovelha desgarrada. Uma espécie de tara psicótico-religiosa. Nietzsche era uma criatura problemática, certamente megalomaníaco e esquizofrênico, mas em nenhuma hipótese poderia ser apontado como um carola em pele de lobo.

Imagino que não exista ateu que não tenha ouvido pelo menos uma vez as famosas perguntas: “mas você não sente falta de acreditar em alguma coisa?” ou “como pode existir um universo tão perfeito sem ter sido criado por Deus?”.

Em primeiro lugar uma perspectiva verdadeiramente humanista de nossa condição de mortais não precisa supor a existência de uma entidade toda poderosa para premiar ou castigar o ser humano na pós-morte, por seus atos em vida. Tampouco para observá-lo ou ser seu amigo, como alguns parecem entendê-lo. A moral social e a ética pessoal, independentemente de suas raízes culturais, devem estar sempre acima de crenças místicas. Diferente do que imagina o senso comum, não se perde nada por não se acreditar. Ao contrário, ganhá-se. Uma vida bem vivida, e vivida com justiça, na Terra é muito mais interessante e potencialmente proveitosa, tanto individualmente quanto no coletivo, do que passar pela existência como que em transito, esperando uma outra vida no além. A consciência de finitude não leva necessariamente ao hedonismo desregrado. Levaria se não fossemos racionais. Quero acreditar que pelo menos alguns de nós somos. Se Deus não existe, grande Dostoievski, nem tudo é permitido. Afinal, em nossa solitária evolução antropóide inventamos algumas coisinhas como Código Penal, Leis de Transito, Etiqueta, SPC, Regra do Impedimento etc, etc e etc.

Em segundo lugar, o Universo físico não é tão harmonioso assim. Quanto à civilização humana nem é preciso dizer. Em uma perspectiva bem maior é preciso reconhecer que a Lei da Gravidade, que faz os planetas girarem lindamente, não impede verdadeiros cataclismas cósmicos. O telescópio Hubble mostra um Universo violento, repleto de choques de estrelas, explosões e mais explosões. É fácil ver uma foto do Hubble é achá-la bela. A questão é que nós aqui na Terra somos tão ínfimos em relação ao todo que percebemos esta imensa desordem cósmica como beleza e não como o caos que realmente é.

Pessoalmente considero o ateísmo como uma grande conquista intelectual do homem moderno. Improvável há somente alguns séculos. Impensável durante a Idade Média. Não acho que algum dia se torne dominante, tampouco que acabe. Será sempre uma espécie de clube fechado, para poucos. Infelizmente. Mas não há do que reclamar. Ironicamente quem sofre preconceito por ser ateu costuma se orgulhar disto. Não se sente vítima de danosas e ofensivas pretensas noções de superioridade baseadas em condições étnicas, econômicas ou sexuais, e sim meramente incomodado pela ignorância e/ou inocência alheia. Uma ignorância / inocência muitas vezes digna de pena e outras simplesmente indignas de atenção. E é justo que seja assim. No mínimo, diferente dos crédulos, podemos dizer com orgulho que ateus não fazem guerra santa.


Ademir Luiz

8 Comentários:

Às 21/4/07 22:01 , Anonymous marcelo brice disse...

Ademir Luiz é historiador e ficcionista, autor de Hirudo Medicinalis. É uma honra ter como visitante da Casa do Demo a arte de Ademir, seu Calvário e suas considerações que, de bases tão sólidas, resistem até aos 'deuses'. É um texto extenso, mas cuja leitura vale a pena pela multiplicidade da argumentação e seu grau polemista.

 
Às 21/4/07 22:28 , Blogger Ademir disse...

Só quatro palavras: Brice é um lord.

 
Às 23/4/07 08:49 , Anonymous Polysbela disse...

Extenso mesmo... polêmico também, eu teria 1000 perguntas a fazer sobre as adjacências informativas e opinativas que circundam a questão do preconceito, cerne do texto pelo que entendi. E sobre esta, tenho que o preconceito enquanto sensação de antipatia é inofensivo p/ quem dele é alvo, muito embora formador de identidade p/ quem o sustenta. Do preconceito desrespeitoso, que discrimina onde a Lei Penal veda o exercício da discriminação, cada sociedade tem tratado de criminalizá-lo, na exata medida do dano material e/ou moral que provoca.

 
Às 1/5/07 17:19 , Blogger Lídia disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
Às 1/5/07 18:27 , Blogger Lídia disse...

Cara Polysbela, como deixou bem claro Ademir, o problema do preconceito ao ateu vai bem além de budas, bíblias e burkas. O ateu não é discriminado simplesmente porque rejeita a vida religiosa, mas porque no imaginário teísta( regido por oposições), rejeitar o divino só pode ser entregar-se ao profano, ao obscurantismo.
O que dita a vida social é uma lógica de punição e recompensa. Não-matarás pois isso o fará bom aos olhos de Deus, não porque reconheces no matar crueldade e irracionalidade. Ética e moral religiosa se confundem. Não submeter-se às leis de um deus seria então viver numa senda caótica onde tudo convém.
Eu como professora atéia já sofri diretamente o preconceito. Pode um indivíduo aparentemente amoral educar criancinhas?
Conheço muitos outros professores que também foram forçados a esconder suas crenças e terminaram por deixar a escola onde trabalhavam, isso quando não eram sutilmente convidados a sair.
Ora, um preconceito que lhe tira o ganha-pão é mesmo inofensivo?

 
Às 3/5/07 12:36 , Anonymous Polysbela disse...

Lídia,

Acho que a sua colocação é no sentido de o preconceito em questão representar mais do que antipatia. E não afirmei o contrário. Categorizei duas ações hipotéticas, ambas referindo-se ao mesmo objeto: o tratamento social conferido aos ateus; de modo que configurada uma antipatia, será inofensiva. Cada homem tem direito a suas antipatias, podendo escolher com quem se relaciona nas mais diversas áreas de sua vida; contudo, se essa rejeição ultrapassar os limites que a sociedade estabelecer – e ela o faz por meio de lei – estaremos diante de preconceito ilegal, considerado crime, como atualmente no Brasil acontece com o racismo. E poderia acontecer - aproveitando o seu exemplo de discriminação na relação de emprego - com várias outras categorias, como tanto prega o Ministério do Trabalho, que há muito tenta implantar políticas educativas de sensibilização p/ combater a discriminação fundamentada na raça, cor, sexo, religião, opinião pública, ascendência nacional ou origem social, idade, orientação sexual, estado de saúde, deficiência, cidadania, obesidade e etc. Se a população aderir e manifestar essa vontade legislativa, serão criminalizados todos esses preconceitos, e o estado punirá quem os cometer. Se não aderir, eles continuarão sendo legalmente permitidos.

Enfim, “Um preconceito que lhe tira o ganha-pão é mesmo inofensivo?” Depende do que o resto da sociedade acha, e da coragem e comprometimento dos que acharem alguma coisa em inserir seus ‘achamentos’ na legislação. Quanto a mim, pessoalmente, sempre preferi bom senso à lei. O estado só atua quando as pessoas se não conseguem estabelecer por si mesmas limites de convivência interpessoal.

 
Às 14/5/07 22:22 , Blogger `´é`´ disse...

Nossa tem comentários aqui dignos de Arnaldo Cezar Coelho (A lei é clara Galvão) hehe...

Enfim, me agrada o bom humor do ademir e sua forma bem arquitetada de discutir qualquer que seja o tema.

"Costumam inclusive citar uns aos outros, como forma de se confirmarem mutuamente" isso ai se espalha em diversas areas do conhecimento academico, e me pergunto nao será a ciência a onipotente, onipresente, ommini vinci.. hehe
derrida me deixa confuso, mas a sua gramacologia parece ser algo a desvendar...

 
Às 3/6/07 15:15 , Blogger marciorps disse...

Me deparei com uns gráficos relacionados ao assunto... Não tão... absoluto ...quando se poderia esperar, mas ainda expressivo.

 

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